palavra pra que te quero

Sunday, April 22, 2012

Frank & Sylvia

Insidiosa, gata independente como se queria crer, Sylvia surge.Frank olha, Frank calcula, sem usar medidas além dos olhos atentos nos olhos perdidos de Sylvia. O cenário está repleto de tantas outras, mas Sylvia lá está, com sua fragilidade curiosa. E Frank não fica indiferente. Podiam, sim, podiam ter pertencido à mesma época. Sylvia, pobre Sylvia, sofre de um deslocamento temporal, o que quer sutilmente dizer que não achou nem seu lugar, nem seu tempo, nem sua casa. Mas está no mundo. E os 28 anos que separam Frank de Sylvia são só circunstanciais. Assim queriam que fosse. Sylvia, tão mais nova, se sente assim, perdida na própria juventude que ainda lhe resta. Dizem que é um presente, embora nem sempre ela sinta isso. Nasceu meio velha, como costuma dizer. E Frank ri. Viveu muito bem a própria vida. E não quer ensinar nada a Sylvia, que ouve e percorre tudo como se pudesse se apropriar das histórias de Frank. Frank ainda quer lampejos de primavera, apesar de engastes da idade e tudo mais que não importa, mas aparece na vida, quando a vida avança. Frank vê lampejos dessa tal primavera nos olhos curiosos de Sylvia, curiosa de Frank. Um quer o tempo do outro, mas ambos, juntos, formam um tempo só: o tempo de Frank e Sylvia. E Sylvia nada quer, além de emprestar a Frank a graça, um brilho de coisa fresca, se é assim ele vê. E a companhia fica doce, leve, cada momento um encanto a mais. Não há tempo que os separe. Mas a vida não é assim.

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