Frank & Sylvia II- o outro lado
A vida não é assim. O que acontece é que Sylvia cai, do alto das suas nuvens pesadas, diante dos olhos de Frank. Asas de anjo quebram vez por outra. O fato é que Frank não vê Sylvia nos olhos de Sylvia. Frank vê a si mesmo em seus muitos anos atrás diante da queda de um outro anjo. Pudera ser Sylvia. Encantam-lhe os gestos, os olhos, a pele. Frank cai pela própria memória, eis o encantamento maior. Ampara Sylvia na queda pelo tempo que durou o deleite dessa reminiscência. Pelo tempo que durou o deleite de Sylvia com o que ela nem sabe ainda, mas é bom ser amparada em quedas bruscas. Frank estava lá. Passa o momento e Frank decide, porque decisões precisam ser tomadas. Devolve Sylvia à sua queda livre. Sylvia é livre, embora quisesse colar-se ao que Frank nela viu, que não era ela nem um pouco. É provável que Sylvia não vê Frank nos olhos de Frank. Ela não sabe. As ideias estão confusas pela queda. O que quer que a tenha resgatado naqueles olhos, já embaçados pela idade, brilham dentro dela. Ainda. Lampejos que passeiam pelos 28 anos que os separam, os unem, os reparam. Até quando, Sylvia não sabe. Mas voltará àquele bar. Até que termine a queda, agora um pouco mais suave. Assim ela supõe.



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