palavra pra que te quero

Saturday, January 29, 2011

Outubro
Veio, depois da trégua de setembro, do fim de um inverno escuro, da primavera que ameaçou começar tão leve. Nasceu e o relato acaba aqui. Muitas coisas ela vai dizer só para si mesma, embora quisesse dizer da dor aos brados, a quem ela de fato queria dizer. Por mais que o fizesse, no entanto. Ela sabe. Voltaria tudo a ela, o eco ensurdecedor do vazio, do desencanto e o que mais.Há coisas que ela só pode dizer para si mesma. E está muito bem. Sabe do lugar impossível, tão amado, que ela nunca viveu. Acabou quimera: uma parte do amor, que nada além de fazer feliz ela ousou querer.Uma parte para a vida inteira de muitas vidas inteiras. E ela então sente que novamente morreu. Mas sabe que nascimento e morte são faces de uma mesma coisa. E repetirá então para si, incansável e incrédula, quando veio das outras mortes: eu preciso nascer.